FIIs no Rali Eleitoral: O Que Esperar do IFIX Depois do Segundo Turno?
Poucas semanas na história do mercado de FIIs foram tão fortes quanto esta. Depois do primeiro turno das eleições, o IFIX disparou. Vários fundos subiram mais de 10% em poucos dias. Agora, a dúvida é inevitável: o que esperar dos FIIs depois do segundo turno, marcado para 25 de outubro? Vamos aos números e ao que dizem os analistas.
A terceira maior alta semanal da história
Segundo o InfoMoney, o IFIX acumulou alta de cerca de 5,4% na semana do primeiro turno. Esse é o terceiro maior avanço semanal já registrado pelo índice. Veja o ranking, com dados da B3:
| Semana (referência) | Pontuação | Variação |
|---|---|---|
| 22/03/2020 | 2.468 | +8,44% |
| 22/12/2024 | 3.112 | +5,64% |
| 04/10/2026 | 3.975 | +5,40% |
| 31/05/2020 | 2.772 | +4,33% |
| 23/02/2014 | 1.330 | +4,28% |
Além disso, o IFIX sobe cerca de 5,9% em outubro e 5,3% no ano. Em 12 meses, o avanço chega a 11,38%. Esses números pesam ainda mais por um motivo. O índice vinha fraco, e a XP aponta que ele recuou 0,2% em setembro.
Por que os FIIs dispararam
A resposta está nos juros. Depois do resultado do primeiro turno, os juros futuros caíram com força. O mercado passou a apostar em mais previsibilidade fiscal. Por consequência, também passou a esperar cortes firmes da Selic, hoje em 13,75% ao ano.
Isso afeta diretamente os FIIs. Com juros longos menores, o Tesouro IPCA+ paga menos. Assim, o investidor exige menos retorno extra para trocar o título público por um fundo imobiliário. Ou seja, as cotas ficam mais atraentes. Segundo uma gestora da Rio Bravo ouvida pela Exame, esse movimento aumenta o prêmio de risco da classe e a torna mais interessante.
Houve ainda o efeito do desconto. Um gestor ouvido pelo InfoMoney afirmou que os fundos analisados negociavam, em média, cerca de 25% abaixo do valor patrimonial. Portanto, a queda dos juros abriu espaço para uma recuperação mais rápida justamente nos fundos mais descontados.
Os FIIs que mais subiram no rali eleitoral

A tabela abaixo mostra os maiores retornos da semana entre os principais fundos, com dados da Economatica de 8 de outubro, divulgados pelo InfoMoney:
| FII | Retorno no ano | Retorno na semana |
|---|---|---|
| TGAR11 | -39,66% | +17,80% |
| VGHF11 | -10,51% | +17,10% |
| BCRI11 | -3,97% | +11,64% |
| ICRI11 | +16,49% | +10,90% |
| VGRI11 | -17,98% | +10,66% |
| MCRE11 | +2,25% | +10,59% |
| RBRL11 | -1,12% | +10,58% |
| HSML11 | +7,12% | +10,16% |
| JSAF11 | +9,47% | +9,91% |
| JSRE11 | +10,76% | +9,82% |
Repare em um detalhe importante. O TGAR11 e o VGHF11 lideraram a semana, mas ambos ainda acumulam queda no ano. Ou seja, a alta recuperou parte de perdas anteriores. Isso não significa, por si só, que os fundamentos melhoraram. O VGHF11, por exemplo, pagou o menor dividendo da sua história em agosto. Se quiser entender esse caso, leia nossa análise sobre o VGHF11. Já o BCRI11, que aparece em nosso calendário de dividendos de outubro, subiu 11,64% na semana.
O que dizem os analistas: o que esperar dos FIIs depois do segundo turno
Para responder o que esperar dos FIIs depois do segundo turno, a XP olhou para o histórico. O relatório traz quatro pontos principais:
- Os FIIs sofrem menos no período eleitoral do que a bolsa e a renda fixa.
- Entre maio e o primeiro turno, a volatilidade do IFIX ficou acima da média histórica, em nível parecido com o de 2018.
- O IFIX costuma ter seu melhor desempenho médio nos três meses antes do primeiro turno.
- Depois do segundo turno, a bolsa tende a perder fôlego. Já o IFIX historicamente segue em recuperação gradual, com retornos crescentes nos 12 meses seguintes.
O próprio relatório, porém, faz uma ressalva. A força desse movimento depende de como o mercado recebe o resultado final. Em 2018, por exemplo, os retornos foram maiores porque o governo eleito foi visto de forma mais favorável pelos investidores. Ou seja, o histórico ajuda, mas não garante o mesmo desfecho.
Outros analistas também pedem cautela. Segundo a Empiricus, enquanto não houver mais clareza, os investidores podem exigir um prêmio maior para ativos locais. Além disso, o gestor ouvido pelo InfoMoney lembrou que o mercado antecipa um cenário que ainda depende do segundo turno. Por isso, o que esperar dos FIIs depois do segundo turno inclui, sim, a possibilidade de novas oscilações.
Como se posicionar sem perseguir a alta
Um rali forte traz uma tentação clara: comprar tudo que subiu. Mas vale agir com calma. Algumas lembranças ajudam:
- Preço maior reduz o yield. Quem compra agora paga mais pela mesma renda mensal.
- Qualidade importa mais do que a alta da semana. Antes de comprar, olhe vacância, perfil de crédito e gestão. Nosso guia sobre como escolher um bom FII mostra esses critérios.
- Diversifique entre papel e tijolo. Com a Selic ainda em 13,75%, os fundos de papel seguem relevantes nas carteiras. Ao mesmo tempo, o tijolo ganha espaço com a queda dos juros longos. Nosso artigo sobre FIIs de papel ou de tijolo detalha essa escolha.
- Evite decidir pela eleição. O resultado pode trazer volatilidade, mas decisões de longo prazo costumam depender mais dos fundamentos de cada fundo.
Conclusão
O rali eleitoral dos FIIs mostra como o mercado reage rápido a mudanças nas expectativas de juros. O IFIX teve a terceira maior alta semanal da história, e os fundos mais descontados lideraram o movimento. Para o que esperar dos FIIs depois do segundo turno, o histórico é favorável, mas não é uma promessa. A recuperação depende dos juros, do cenário fiscal e da reação do mercado ao resultado final. Por isso, a estratégia mais segura continua sendo escolher bons fundos, diversificar e olhar o longo prazo.
Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, com base em dados públicos divulgados até 9 de outubro de 2026. Não expressa preferência política nem constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Consulte um assessor de investimentos habilitado antes de tomar qualquer decisão financeira.
